Encontramos em Mourel, na União das Freguesias de Carvalhais e Candal, em S. Pedro do Sul, uma jovem ‘Sui generis’. Estamos a falar de Joana Filipa Almeida Martins, de 16 anos, apaixonada por cavalos desde que se conhece por gente e que troca qualquer forma de tecnologia pela equitação, a sua grande paixão. Tímida e de poucas falas soltou-se, como que um pássaro em prado verdejante, para nos contar histórias sobre o ‘Urânio’, a ‘Urtiga’ e a ‘Orquídea’ – os seus cavalos. Mas não se esqueceu de homenagear a sua égua ‘Bonita’ que, infelizmente, já não está entre nós, mas que mesmo assim não é menos importante para esta jovem cavaleira. A aposta num Centro Hípico nesta região seria, na opinião de Joana Martins, uma mais-valia, dando até ideias de possíveis passeios que poderiam ser feitos de charrete e que dariam a conhecer, ainda mais, esta bela região de Lafões. Neste sentido, foi com muita alma e uma cumplicidade única, para com os seus animais, que abordou o gosto pela equitação, a emoção de montar a ‘Urtiga’ e o quanto andar a cavalo faz bem à saúde e à alma.

O gosto pela equitação

Segundo Joana Filipa Almeida Martins o gosto pela equitação começou “muito cedo”, atrevemo-nos mesmo a dizer que foi logo ao ser concebida. Assim, conforme nos informou, “quando nasci o meu pai já tinha um cavalo que se chamava ‘Carriço’. Era um cavalo muito meigo e logo me entusiasmei pelo gosto que tenho pelos animais. Como tal, e com apenas três anos, o meu pai já me pegava ao colo e metia-me em cima do cavalo. Mas, por esta altura, ainda não tinha bem a noção do amor que ia sentir por esses animais”. ‘Joaninha’, como é conhecida por familiares e amigos, foi-nos dando conta de todo o processo que tem vindo a desenvolver na equitação: “aos fins-de-semana o meu pai costumava ir dar um passeio pelos centros hípicos e eu ficava radiante com tantos cavalos à minha volta. Aos seis anos comecei por interessar-me ainda mais, foi então que pedi ao meu pai para me deixar frequentar o Centro Hípico de Montebelo. Andei nas aulas durante ano e meio e depois acabei por desistir, porque o passo seguinte eram os saltos e, como não tinha cavalo com preparação para tal, fiquei por ali mesmo. Mais tarde, o meu pai acabou por vender o cavalo (Carriço) e esteve uns meses sem animais. Depois, comprou uma égua - a ‘Urtiga’ - de raça puro-sangue inglês. Ela é linda, mas na altura, como ainda era muito pequena e a égua era um pouco acelerada, ou seja gostava de competir com outros cavalos, tendo conseguido se classificar em 1.º lugar, em algumas corridas, não podia montá-la. Mas tive sempre a ideia de um dia a poder montar. Entretanto cresci e o meu pai me ofereceu um cavalo que se chama ‘Urânio’. O ‘Urânio’ é um cavalo calmo de raça cruzado a português. Assim com os dois cavalos já podíamos ir passear os dois e participar em passeios equestres na nossa região”.

A emoção

Os anos foram passando e ‘Joaninha’ conseguiu concretizar a seu grande sonho: montar a ‘Urtiga’. E foi com os olhos a brilhar de felicidade que nos relatou a cumplicidade que existe entre ambas. De acordo com a cavaleira, a ‘Urtiga’ é “uma égua muito doce e meiga. Faço dela tudo o que eu quero”, exemplificando que “passo-lhe por baixo, levanto-lhe as patas e ela também gosta de mim. Consigo sentir isso, através dos olhares e da obediência que ela tem por mim”. Ainda sobre a ‘Urtiga’, Joaninha garantiu que a monta há cerca de um ano, mas que uma nova ‘parceira’ apareceu, a ‘Orquídea’, que é “de raça cruzado a português e que puxa uma charrete”. Acrescentou ainda, num jeito brincalhão, que a ‘Orquídea’ é uma comilona e que está gorda “até demais [risos]”. Mas não parou por aí a boa disposição, quando adiantou que também “é uma preguiçosa”.

“Montar a cavalo faz muito bem à saúde e à alma”

Sobre o número de animais que possui, disse-nos que são duas éguas e um cavalo; e que são mesmo o seu passatempo. Segundo a cavaleira “já fazem parte da minha vida e adoro dar-lhes de comida, pois também vou ao pasto para eles com o meu pai”. Agora de uma forma mais abrangente, ‘Joaninha’ evidenciou que “como toda a gente sabe, a equitação é um desporto que exercita o corpo e é uma terapia para crianças e adultos com problemas motores ou psicológicos e, cada vez mais, sentimos a procura por este género de actividade”. E, com a paixão que não esconde por esta modalidade, referiu que “montar a cavalo faz muito bem à saúde e à alma. Para não falar que tonifica os nossos membros, conseguindo descontrair e esquecer um pouco os problemas da vida”. Já num tom mais triste, ‘Joaninha’ mencionou as saudades que sente de uma égua chamada ‘Bonita’ e que lhe foi “muito familiar”, mas que infelizmente morreu, por motivos de acidente, o que lhe causou muita tristeza. “Nunca a vou esquecer” – salientou.

Apostar num Centro Hípico

Apesar de viver num meio rural, questionamos a ‘Joaninha’ para saber a sua opinião sobre o que poderia ser feito, pelo que sem papas na língua frisou a importância de se apostar num centro hípico aqui na nossa zona. “Acho também que poderiam ser feitos uns passeios de charrete para que a população, em geral, pudesse apreciar a nossa região” – justificou a jovem.

Como compreender essa paixão pela equitação

Relativamente se os seus amigos compreendiam essa paixão, ‘Joaninha’ esclareceu que “depende das pessoas. Tenho amigos que compreendem porque também gostam de cavalos e tenho outros que apenas as novas tecnologias lhes interessa. E conhecendo bem as pessoas vamos sabendo lidar com os temas de conversa”.

O dia-a-dia

Quanto ao que faz no seu dia-a-dia, a jovem cavaleira contou que “eu tenho telemóvel, computador, entre outros equipamentos informáticos, pois preciso deles para realizar trabalhos da escola. Também gosto de ir ao facebook, mas por pouco tempo, não sou pessoa de estar um dia inteiro nas redes sociais a trocar conversas”. Mas, comparando-se com outros jovens da sua idade, ‘Joaninha’ sente-se uma “pessoa diferente”, se calhar “um pouco mais reservada” e explicou o porquê: “não sou de muitas falas e não sinto aquela necessidade de ir a correr para casa para o computador ver se tenho mensagens ou novos pedidos de amizade. São coisas que me são um pouco indiferentes, o campo fala-me mais alto. O que adoro é chegar a casa e ir espreitar os meus cavalos, ver se estão bem. Gosto de apanhar ar puro, ver os meus cavalos a correrem e de estar horas sentada a olhar para eles. Sinto-me bem junto deles e posso dizer que sou uma pessoa feliz porque tenho sorte em poder ter três cavalos e de ter o pai que tenho, pois sempre fez tudo para realizar esse meu sonho”. Já sobre as novas tecnologias para ‘Joaninha’ não são “o mais importante. Como gosto muito de animais, para mim isso basta. Sempre vivi no campo e posso dizer que me sinto uma pessoa feliz e realizada”.

A profissão a seguir

A jovem cavaleira gostava de ser professora de equitação ou veterinária, mas com sorriso nos lábios confidenciou que a primeira hipótese é talvez a que mais lhe agrada. Contudo, “não vejo aqui na nossa região grandes ofertas e se há não tenho conhecimento. Mas, para ser veterinária tinha que estudar muito e sinceramente estudar não é o meu forte. Mas vamos ver com o decorrer do tempo a área que vou seguir” – concluiu.

Uma mensagem

Para finalizar, lhe pedimos que deixasse uma mensagem aos jovens da sua faixa etária, pelo que disse que gostaria que eles soubessem que os “tablets, computadores, telemóveis e internet não são tudo na vida. Aliás, nem fazem bem à saúde e nem consigo estar fechada em casa um dia inteiro, como já referi, a jogar ou na internet. Há várias maneiras de nos divertirmos, sem precisarmos das novas tecnologias, porque além disso a equitação é um desporto que faz bem a toda a gente e para as pessoas que gostam de cavalos, como eu, sentimo-nos realizados”. Apesar de reservada, mas muito simpática, fez votos de que esta entrevista ajudasse a perceber a sua paixão pelos cavalos, agradecendo-nos o convite e a oportunidade de poder falar de algo que ama com paixão.