Há dias, subindo a Serra, fomos até Manhouce. Na bagagem, levávamos apenas um desejo, o de ouvir cantar, porque esta é terra onde se nasce logo com essa boa marca, a das vozes de estalo. Em trabalho aprazado com o Maestro e Director do Grupo Ars Nova, ainda muito jovem, mas já com estilo próprio, na pessoa do Dr. Alexandrino Matos, ali fomos parar aqui há dias, já no passado mês de Março. À nossa espera, em modestas instalações, cedidas pela Junta de Freguesia local, ao lado de uma nova Sede em construção, situada no Largo da Feira, lá fomos encontrar toda a gente que dá vida e alma a este projecto: quatro jovens meninas e seu timoneiro. Para lembrar os seus nomes e não perder quem assim canta tão bem, em termos de memória futura, aqui se registam as protagonistas das canções que começam de correr mundo: Ana Rita Sousa Trindade, do Gestosinho, 17 anos, estudante na Escola Profissional de Carvalhais; Cíntia Silva Gomes, Lageal, 16 anos, aluna do Ensino Secundário, em S. Pedro do Sul; Susana Costa Alves, 19 anos, Sequeiro, a frequentar a Universidade de Aveiro e Adriana Gomes, Bondança, desempregada. Em comum, têm seis anos de boa aprendizagem musical e uma enorme vontade de subir da terra ao céu com suas vozes divinais. Uma vez por semana, o seu destino está traçado, passando por laboriosos ensaios, na casa que tem como seus responsáveis o “Ditoso Saber – Associação Cultural”. O ambiente, em matéria de evocações, respira todo ele a tradição do berço de todas estas meninas: fotografias do Grupo e Rancho Folclórico da Casa do Povo de Manhouce, cantadoras, carro de vacas e outros motivos, em molduras que enchem as paredes de uma espécie de cozinha convertida em laboratório musical.

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