Se em tempos o lugar de Súmios, em Pindelo dos Milagres, no concelho de S. Pedro do Sul, foi ponto turístico, a verdade é que agora a imensidão dos dois quilómetros quadrados de área encontra-se sem vida, com a saída, há cerca de duas décadas, do último membro da família Gouveia. Refira-se que se trata de uma família numerosa com quase uma dúzia de filhos. Agora, restam três casas desabitadas, uma em ruínas e outra a ser reabilitada por um dos netos do patriarca da família, que faleceu, há alguns anos. Mas há ainda outra habitação, de construção mais recente, cerca de 30 anos, um pouco mais distante das duas primeiras. Com água de nascente, mas sem rede eléctrica, Súmios está localizado a cerca de vinte quilómetros da sede do concelho. Já o acesso ao lugar, que fica situado no meio de grande vegetação, onde a ruralidade contrasta com a modernização, mais propriamente a A24 [que se vislumbra ao longe], pode ser feito de duas formas, mas apenas através de caminhos florestais.

“É uma herança sentimental muito grande”

Não foi fácil lá chegarmos, porque a dificultar o acesso estavam as silvas, os galhos dos pinheiros e o piso irregular, mas valeu a pena sentir o peso de toda a história daquele lugar, contada por Ilídio Pinto Ferreira [gestor de negócios do proprietário], que nos garantiu que nos seus tempos áureos “Súmios era um ponto turístico de grande interesse para a região”. Recordando ainda tempos antigos, Ilídio Pinto Ferreira afiançou-nos, com visível satisfação, que “qualquer pessoa que viesse para esses lados tinha passagem obrigatória por aqui, quer pelo bom vinho que se fazia, quer pela qualidade do azeite”. Contudo, as vinhas desapareceram com o tempo, mas ainda se vêem algumas oliveiras ‘perdidas’, mas bastantes verdejantes, que confirmam a informação do interveniente que retracta o terreno como “muito bom para a lavoura e com boa água de nascente; mas com a saída da família Gouveia tudo acabou” – frisou. Entretanto, agora com a reabilitação de uma das casas, por um dos netos do patriarca da família, “poderá ser esperança para Súmios” – realçou o simpático senhor que é o que toma conta da habitação, dado que o proprietário vive no estrangeiro. Segundo Ilídio Pinto Ferreira, os familiares “não querem deixar morrer a tradição” e salientou que “já houve pessoas interessadas em comprar as pedras de uma das casas, mas a família não vende”. “É uma herança sentimental muito grande” – evidenciou. A acompanhar-nos nesta ‘viagem’ a Súmios, esteve o Pindelense Acácio Matos Pinto que, no decorrer do percurso, dentre as várias histórias que nos contou, disse que o caminho por nós feito “era passagem obrigatória para os moinhos de Súmios, onde as gentes de Pindelo iam moer o milho, cujo transporte era feito à cabeça”.