Até Outubro, o concelho sampedrense vai vivenciar um conjunto de acções, que serão levadas a cabo pela Câmara e pela Termalistur – Empresa Municipal que gere as Termas. A primeira, já está a decorrer e denomina-se por 'S. Pedro do Sul Mais Turismo'. No âmbito desta acção, que começou a 27 de Abril e que termina a 2 de Maio, muitas são as actividades previstas: exposição, música, gastronomia, natureza, rotas, entre outras. Assim, hoje, dia 30 de Abril, pelas 21 horas, será lançado o vídeo promocional do concelho, no Cineteatro Jaime Gralheiro. De acordo com o vice-presidente da Câmara Municipal de S. Pedro do Sul, Pedro Mouro, estes eventos têm por objectivo “alargar o ponto de vista turístico do concelho”.

 

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Em Manhouce, no concelho de S. Pedro do Sul, foi detida, em flagrante delito, uma mulher, com cerca de 30 anos, pela patrulha da GNR local, quando procedia ao furto de cobre das linhas da PT/MEO. A ocorrência decorreu na madrugada do dia 20 de Abril, tendo a suspeita furtado 134 metros de cabo de cobre, no valor de 1.965,00 euros. O processo baixou a inquérito e aguarda os ulteriores termos processuais com Termo de Identidade e Residência.

 

Sentir o ‘cheiro’ da Serra e vislumbrar a beleza que a mesma oferece nesta altura do ano, com a conjugação fantástica da urze e da carqueja, tornou, sem dúvida, a ‘expedição’ que um grupo de jornalistas e técnicos da Câmara Municipal de S. Pedro do Sul fizeram a algumas localidades do concelho algo de muito especial. Passámos por Manhouce, Fraguinha, Arada, São Macário, Aldeia da Pena, Gourim, culminando na Quinta da Comenda. Para o vice-presidente da Câmara, Pedro Mouro, esta acção, integrada na iniciativa ‘S. Pedro do Sul Mais Turismo’, pretendeu “dar a conhecer parte do concelho que poderá estar esquecido. Ou seja, potenciar esta região para que os turistas venham visitar e ver que realmente há muito a oferecer”. Acrescentou neste sentido que “S. Pedro do Sul não são só as Termas, há outros locais de grande interesse”.

‘Rota da Água e da Pedra’

No âmbito da ‘Rota da Água e da Pedra’, fomos convidados a conhecer alguns destes pontos que visam mostrar as potencialidades desta região. Segundo o biólogo Paulo Pereira, no concelho há 17 pontos integrados na ‘Rota da Água e da Pedra’, numa promoção da ADRIMAG – Associação de Desenvolvimento Rural Integrado das Serras do Montemuro, Arada e Gralheira – ‘Montanhas Mágicas’, no âmbito do PRODER – Programa de Desenvolvimento Rural. Contudo, há no total 117 painéis informativos espalhados pelos sete municípios envolvidos, entre os quais está S. Pedro do Sul; e muito brevemente estará à disposição dos interessados um site e uma série de outras actividades de divulgação que poderão ser utilizados em pacotes turísticos.

Tipicidade e gastronomia

De seguida, foi tempo para o almoço - que não poderia ser em outro local - na Aldeia da Pena. Lá, a beleza típica desta aldeia de xisto envolveu-nos, e apesar das curvas e contra curvas a que estivemos sujeitos, o ar puro e a tranquilidade ajudou-nos a repor os sentidos rapidamente. A boa gastronomia nos esperava e depois de saciados rumamos à aldeia de Gourim, mais propriamente à ‘Casa Margou – Turismo Rural’. Situada no sopé da montanha, parte do acesso à referida aldeia - cerca de 5 quilómetros – foi feito com alguns solavancos à mistura e só possível de jipe, mas claramente recompensado pela paisagem que pudemos desfrutar. Voltando à Cidade, o término da expedição foi no espaço de agro-turismo, na Quinta da Comenda, com a degustação de produtos locais, em parceria com a Confraria dos Gastrónomos da Região de Lafões.

 

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Faz precisamente um ano que a vida do jovem Ismael José Pires Sousa mudou. Para pior? Ele garante que não. Com um cancro diagnosticado, foram precisos apenas alguns segundos para assimilar que tinha a doença. Trata-se de um ‘Linfoma de Hodgkin Grau IV’ que não o derrubou, mas o tornou mais forte. Já fez sessões agressivas de quimioterapia, passou por períodos de isolamento total, mas por ser uma pessoa de fé [não tivesse frequentando, por uma década, um seminário], vê em Deus a força para continuar. Com mais dois irmãos, é o filho do meio, e acredita que é aí que “está a virtude”, contou-me entre sorrisos. Sobre a taxa de cura da sua doença, esta ronda os 90 por cento e, por isso, acredita que na próxima consulta, que acontece ainda no decorrer deste mês, o linfoma tenha desaparecido, deixando o seu corpo. Pessoa de afectos que é, nunca questionou o porquê de ter contraído a doença: “apenas aceitei. Quero mostrar que não é assim tão mau e se metade das pessoas vissem a vida como a vejo, as coisas seriam muito melhores. Acredito que onde há energia positiva, não pode haver negatividade”. Traz também no seu anelar direito [num anel] a seguinte inscrição que traduzimos do latim: ‘Para maior glória de Deus’ e é por este lema que se rege. Criou o blog ‘Estórias do Coração’ pouco depois de lhe ter sido diagnosticada a doença. Neste espaço, partilha situações por que passa no seu dia-a-dia, sendo uma forma de desabafar e dar a conhecer que este monstro, a que chamam cancro, não é assim tão mau. Contudo, fechar-se nunca foi solução e com o intuito de dar a cara, sem constrangimentos, este espírito livre – como gosto de lhe chamar – contou, sem medo e sempre com uma grande vivacidade nos olhos, como descobriu que estava doente, como tem encarado o cancro e traduz-se como “a fénix que morre e renasce das cinzas”, pois é assim que se sente.

“(…) sabe, tive que pensar na minha mãe”

Se para muitos este seria, possivelmente, o momento de se ‘fechar’… para ele não. Não podia. Tem uma família a torcer e amigos que o apoiam. Espírito livre que é, e crente a Deus, mostrou-me que a vida é muito mais que dois dias. Assim, o jovem natural e residente na União das Freguesias de S. Pedro do Sul, Várzea e Baiões e com apenas 24 anos, disse-me que a 15 de Abril do ano passado foi ao Centro de Saúde local porque tinha dores na coluna, mas pensou que eram decorrentes da espinha bífida que diz ter, e por ter notado que possuía uns gânglios na zona auricular, junto ao maxilar. Lá, depois de examinado, foi reencaminhado de imediato para o Hospital de Viseu, tendo ficado internado durante três dias, onde realizou vários exames e uma biopsia. Contudo, teve de repeti-la a 12 de Maio e no dia 20 [deste mesmo mês] a médica confirmou-lhe que tinha um linfoma ‘Hodgkin Grau IV’. Ao ser questionado de como reagiu a esta informação, referiu-me: “estava com a minha mãe, que sempre me acompanha…receber a notícia foi uma questão de segundos, porque já estava a contar que algo não estava bem. Tive que assimilar rapidamente… sabe, a minha mãe estava lá… elas [mães], sofrem sempre mais… e não podia deixar-me ir abaixo”.

A aceitação

“Aceitei desde o início” – assegurou-me o Ismael e explicou o porquê: “quando a gente começa em negação e nos revoltamos a superação da doença é muito mais difícil”. Confiante e com os olhos a sorrir para mim, garantiu-me que “sempre que tenho algum desafio pego o touro pelos cornos”.

Tratamentos

Primeiro, “comecei por fazer seis sessões de quimioterapia e os efeitos secundários são muito dolorosos. Mal estar e agonia foram os principais sintomas. As minhas primeiras noites foram passadas a vomitar e ia bebendo água para ter alguma coisa no estômago. Sei que o que fiz foi errado, mas o desespero é de tal ordem que nem se pensa. Depois, fui fazer exames para ver se a doença tinha regredido. Todavia, tinha estagnado. Nessa altura, entre Setembro e Dezembro, fiz mais quatro sessões de quimioterapia por internamento - 24 horas sobre 24 horas. Em Janeiro voltei a repetir o exame e a médica informou-me que estava pronto para fazer o autotransplante de medula” – deu a conhecer o jovem. Assim sendo, a partir de “Fevereiro comecei por fazer a recolha das minhas células. Congelaram-nas e voltaram-me a chamar para fazer mais uma semana de quimioterapia de alta intensidade, para arrasar com o meu sistema imunitário. Depois transplantaram-me as minhas células e durante mais três semanas, estive nos Hospitais da Universidade de Coimbra. As duas primeiras em isolamento total e as outras duas a tempo parcial”.

 Falar sobre a experiência

Para Ismael, falar sobre esta experiência “faz bem”, porque “ajuda-nos”. Os médicos “sempre me disseram que o encarar a doença positivamente e o apoio da família são essenciais; e eu acredito”.

A perda do cabelo

Um dos efeitos secundários da quimioterapia, a que o Ismael esteve sujeito, foi a queda do cabelo. Na altura, em jeito de brincadeira e para cortar um pouco a tensão que se vivia naquele momento, contou-me que “dei uma palmadinha nas costas da minha mãe e disse-lhe: é desta vez que vou rapar o cabelo”. Mas, o jovem confidenciou-me que “sempre tive uma grande paixão pelo meu cabelo e cortei-o antes de o ver cair, porque não iria conseguir passar por este processo se não fosse desta forma. Ia ser um grande trauma para a minha vida”.

Como encara os olhares

No início da doença, o Ismael evidenciou que lhe incomodava a forma como as pessoas o olhavam na rua. “Sabe, aquela expressão de coitadinho, odiava”, acrescentando que “nunca deixei de sair, mas é claro que, no início evitava ir a certos locais. Mas acredite, que foi uma situação que resolvi rapidamente, porque nunca me achei um coitadinho”. Mas teve uma situação, vinda de um amigo que o magoou e até hoje não se esquece: “era um rapaz mais velho que eu, que quis saber o que tinha e como se apanhava… fiquei de rastos”. O Ismael falou ainda sobre o que mais o incomoda. Ou seja, “o olhar de pena” e o preconceito que “há sobre as pessoas que têm cancro. E não deveriam, pois há muitos casos de sucesso” e exemplificou: “temos algumas restrições, mas não devemos estar fechados longe das pessoas e há esse preconceito; tenho tentado dizer isso mesmo. Posso e faço a minha vida normal e não preciso de ser olhado como se estivesse a morrer”.

De onde vem esta força

Para além da família e dos amigos, a religião é, sem dúvida, parte desta força que o Ismael transborda por todos os poros do seu corpo. Com cerca de 12 anos começou a estudar para ser padre, onde se manteve durante dez anos. Entretanto, interrompeu e explicou que o fez por “ser muito novo e que era chegada a altura de parar e de pensar se era ou não o caminho que devia seguir, pois vejo o sacerdócio como uma entrega definitiva”. Todavia, a doença apareceu-lhe passados dois anos e “para mim foi mais uma prova que Deus me punha e tive a certeza que a iria superar sem qualquer problema” – destacou o jovem. Refira-se que o Ismael continua a dar catequese na paróquia da Cidade e faz parte do grupo de jovens. Sobre a possibilidade de voltar ao seminário, não descarta a sua ida e diz que assim que estiver bem, poderá ser o caminho a seguir.

O blog – ‘Estórias do Coração’

Habituado a escrever nas redes socias, durante um tempo foi a ‘cara’ do blog ‘Partituras de um Sonho”. Era um espaço a que se dedicava habitualmente, só que na altura em que ‘conheceu’ a doença, frisou que não fazia sentido continuar a escrever para o ‘Partituras’ e criou o ‘Estórias do Coração’, que nasceu um mês depois de lhe ter sido diagnostica a doença [Junho do ano passado]. Inicialmente escrevia sobre situações por que passava no seu dia-a-dia, “contando a minha história: o que tenho e como descobri. Neste sentido, relato vários episódios de confrontos que fui tendo, com alguns testemunhos” – esclareceu, afirmando que “para mim é uma forma de desabafar e dar a conhecer a todas as pessoas que este monstro, a que chamam cancro, não é assim tão mau. É mais como a fénix que morre e renasce das cinzas. É assim que me sinto”.

O sorriso

O sorriso e a fé em dias melhores, é para o jovem Ismael a melhor forma de mostrar que a vida é para ser vivida e quer faça chuva ou sol, temos que estar prontos para ‘as curvas’. Durante o mês em que esteve isolado no Hospital de Coimbra, praticamente todos os dias, comunicou-se com o mundo, através de várias mensagens, nas redes sociais, onde fazia questão de dizer que ‘Gosto de ti’ e ‘Sorriam’ e explicou o porquê de o ter feito: “quis mostrar que até podia estar fechado, mas que sempre podia deixar o meu sorriso; e se eu consigo, porque há quem não o faça? A sociedade está tão preocupada em fazer face às várias coisas do seu quotidiano que deixam de aproveitar os bons momentos. Acredite: um sorriso basta para mudar a vida de alguém”. Aproveitou e contou-me uma situação pela qual passou: “tenho um cancro e estou aqui e estou a sorrir. Mas, houve um dia que estava num café, na Cidade de S. Pedro do Sul, e uma senhora lá estava a falar mal de tudo o que lhe acontecia. Não resisti, fiz com que olhasse realmente para mim e falei-lhe da minha história. No final, a senhora agradeceu e disse que lhe tinha mudado aquele dia. Senti-me fantástico”. Já as paredes de nossa casa, que por vezes podem ser conselheiras, na opinião do Ismael, “podem também ser traiçoeiras, porque fazem-nos pensar naquilo em que não devemos”. Adiantou ainda que “nunca entrei em depressão e poderia ter tido apoio psicológico, mas não quis, porque sei que este cancro não me vai vencer”. Segundo o jovem, “possuo uma fé sólida, que me diz que Deus não é culpado por isto ter-me acontecido. São processos naturais e Deus ama-nos tanto que não interfere nas nossas vidas. Por isso, não entendo porque há-de ser o culpado de tantas maldades que há neste mundo, quando são os homens que as praticam”.

Quando se revolta

Aí sim, com um semblante mais pesado e tristeza no seu olhar, não teve problemas em me dizer que se revolta quando “vejo alguém morrer de cancro. Sabe, porquê? lutamos muito, acredite… muito mesmo, e, por vezes, a doença acaba por nos vencer. Sobretudo, quando há casos que nem a oportunidade de lutar têm”. E foi com estas palavras de fé, esperança e perseverança que deixei o Ismael. Senti que somos muito pequenos e frágeis; e que o valor que damos às ‘coisas’ não são nada perante o sofrimento e a luta diária de milhares de ‘Ismaeis’ que nos mostram que uma unha encravada nada mais é que uma unha encravada.

Perfil

Ismael José Pires Sousa, 24 anos, natural e residente na União das Freguesias de S. Pedro do Sul, Várzea e Baiões.

Ler, escrever, passear, fotografar e ouvir música é o que mais gosta de fazer.

Sorrir e contagiar os demais, com a sua boa disposição é, sem dúvida, uma das suas melhores características.

O Município de S. Pedro do Sul vai passar a ter Loja e três Espaços do Cidadão, num futuro muito próximo. Esta garantia foi-nos dada pelo presidente da Câmara, Vítor Figueiredo, que considera a medida “uma mais-valia para o concelho”, dado que “vamos ter serviços públicos mais próximos dos cidadãos”. A Loja do Cidadão irá funcionar no Palácio de Justiça, ficando como lojas-âncora a Autoridade Tributária e Aduaneira (Finanças) e o Instituto dos Registos e do Notariado. Já os três Espaços do Cidadão vão ficar localizados nos edifícios da Câmara Municipal e da Termalistur; e na sede da União das Freguesias de Santa Cruz da Trapa e São Cristóvão de Lafões. O presidente da Câmara disse que vai deslocar funcionários do município para prestar os vários serviços, os quais irão passar por um processo intensivo de formação. Questionado acerca dos motivos em que se basearam para escolherem os locais a albergar os três Espaços do Cidadão, o autarca explicou que “entendemos que a Cidade necessita, assim como as Termas, por ser um pólo forte de atracção turística. Já a União das Freguesias de Santa Cruz da Trapa e São Cristóvão de Lafões, por ser a única do concelho que é Vila e pela situação geográfica da mesma”.

 

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